
O setor de autoescolas no Ceará atravessa um período de forte transformação desde a implantação, em dezembro do ano passado, do novo modelo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). As mudanças, promovidas pelo Governo Federal com a promessa de baratear o processo, já resultaram em demissões em larga escala e na reformulação completa da rotina dos Centros de Formação de Condutores (CFCs).
De acordo com a nova regulamentação, o candidato passou a ter a opção de realizar todo o curso teórico de forma online, reduzindo drasticamente a necessidade de estrutura física e de profissionais presenciais. Além disso, a carga horária mínima das aulas práticas obrigatórias caiu de 20 para apenas duas horas. Outro ponto estabelecido foi o teto de R$ 180 para o total das taxas dos exames exigidos.
Embora as autoescolas sigam em funcionamento, os efeitos sociais já são expressivos. Um mês após a entrada em vigor da resolução, o Sindicato das Autoescolas do Estado do Ceará (Sindcfcs) informou que aproximadamente 2.500 trabalhadores formais foram demitidos em todo o estado. O número corresponde a cerca de metade dos cerca de 5 mil empregos que o setor mantinha até 2025.
Segundo o sindicato, os profissionais desligados atuavam com carteira assinada e tinham acesso a direitos trabalhistas como férias, 13º salário, FGTS, INSS, reajustes salariais, seguro de vida e outros benefícios garantidos por lei.
Entre os cargos mais atingidos está o de diretor geral e diretor de ensino. Mais de 700 profissionais foram dispensados logo no início do novo modelo, já que a função foi extinta com as mudanças no processo de formação de condutores, aprofundando o impacto no mercado de trabalho do setor.
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