A espera de uma década e meia chegou ao fim sob o sol do Sertão Central. Exatamente às 13h30 desta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o Açude Serafim Dias, em Mombaça, rompeu o silêncio de seu sangradouro. Os primeiros filetes de água que cruzaram a estrutura de concreto não foram apenas um fenômeno hidrológico, mas o encerramento de um jejum que castigava a região desde abril de 2011. O transbordamento do “Gigante do Sertão” transforma o cenário local em um ponto de celebração e renovação para o povo cearense.
A recuperação total do volume foi meteórica nas últimas horas. O reservatório, que amanheceu o dia com 97,42% de sua capacidade (registrando cerca de 39,88 milhões de metros cúbicos), foi beneficiado por chuvas intensas na região da Boa Vista. Esse aporte final garantiu os centímetros que faltavam para atingir a cota máxima de 40,94 milhões de metros cúbicos (m3). Ao longo da tarde, moradores de diversas localidades de Mombaça se deslocaram até a parede do açude para registrar o espetáculo das águas, que agora seguem o curso natural do Rio Banabuiú.
Um Legado de Luta e História
A importância do Serafim Dias vai além do abastecimento. Sua construção é fruto de uma articulação histórica que remonta ao início do século, porem foi posto em prática no final da década de 80. Em 1989, o então deputado federal Antônio Paes de Andrade, enquanto ocupava interinamente a Presidência da República, assinou a ordem de serviço para a obra. O ato concretizou um sonho de quase um século dos mombacenses, bandeira levantada incansavelmente por seu tio, o Padre Pedro Leão Paes de Andrade.
Concluído em setembro de 1995, o açude teve sua primeira sangria em 1º de junho de 1996. Desde então, viveu ciclos de abundância e escassez. Após registrar transbordamentos frequentes entre 1997 e 2011, o reservatório enfrentou seu período mais sombrio a partir de 2016, quando chegou a secar completamente. O colapso durou até janeiro de 2020, quando o açude voltou a receber recargas tímidas. O caminho até a tarde de hoje foi marcado por resiliência e pela recuperação gradativa iniciada em 2022.
Estrutura e Impacto Regional

Localizado estrategicamente no Sistema Banabuiú, o Serafim Dias possui uma bacia hidrográfica de mais de 1.500 $km^2$. Sua estrutura imponente conta com uma parede de 730 metros de comprimento e altura máxima de 23 metros. O sangradouro, agora em plena atividade, possui uma largura de 147 metros, permitindo que o excedente hídrico flua com segurança, garantindo a segurança hídrica e a recarga de mananciais abaixo da barragem.
Para o sertanejo, a sangria é sinônimo de fartura e segurança para a produção agrícola e consumo humano. A imagem da água descendo suavemente pelo vertedouro simboliza, acima de tudo, a vitória da natureza e a persistência de quem vive no semiárido. Com a capacidade máxima atingida, Mombaça projeta um horizonte de tranquilidade hídrica para os próximos anos, celebrando o renascimento de um de seus maiores patrimônios.
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