O Ceará alcançou uma posição de liderança no cenário nacional de combate à violência de gênero ao se consolidar como o primeiro estado do país a aderir ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. A nova fase da ação estratégica foi lançada oficialmente nesta quinta-feira, em Fortaleza, durante um evento solene no Museu da Imagem e do Som (MIS). A cerimônia contou com a participação da primeira-dama do país, Janja da Silva, do governador Elmano de Freitas, da vice-governadora Jade Romero, além de lideranças do Judiciário e do Legislativo.
O plano de ação estabelece uma cooperação direta entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para reestruturar e ampliar as redes de acolhimento e proteção a mulheres e meninas. O planejamento estratégico engloba a otimização e o acompanhamento rigoroso das medidas protetivas urgentes, o desenvolvimento de campanhas educativas de grande alcance e a criação de programas específicos de conscientização voltados ao público masculino.

Em seu pronunciamento, Janja da Silva enalteceu a postura vanguardista do governo cearense e reforçou que a articulação institucionalizada é o único caminho viável para desarticular a violência estrutural. A primeira-dama apontou que a união de esforços potencializa os mecanismos de defesa do Estado, resultando em vidas salvas e na transformação sociocultural das comunidades.

O governador Elmano de Freitas enfatizou que as ações em andamento no Ceará ganham um reforço essencial com o pacto, embora tenha pontuado a necessidade de evolução constante nos sistemas de segurança pública e assistência social. O chefe do Executivo estadual cravou como meta prioritária a consolidação de um ambiente seguro e digno para a população feminina.
Por sua vez, a vice-governante Jade Romero apresentou dados sobre a eficácia dos mecanismos locais de combate à impunidade, destacando a celeridade processual obtida por meio do programa Tempo de Justiça, focado em agilizar os julgamentos de crimes de feminicídio. O ato na capital marcou o início prático das operações integradas no território cearense, desdobrando a assinatura formal que ocorreu no início do ano.
Quem transformou a dor da violência em luta foi a cearense Ana Clara Antero. Presente ao evento, ela destacou que o pacto representa um importante instrumento de proteção. “A mulher tem que ter o direito de viver e, infelizmente, nós, mulheres, não temos isso. É importante o governo fomentar essas campanhas, pois, assim, temos mais voz.”

A partir de agora, Ana Clara afirma que espera fortalecer sua atuação na defesa da causa. “Eu sou uma sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, e o meu recado é: se você estiver passando por algum tipo de agressão, denuncie. Eu sei que não é fácil, mas não queira que o pior aconteça com você”, concluiu.
Fotos Carlos Gibaja – Casa Civil, José Wagner – Vicegov e Cibele Gomes
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