O fantasma de um dos maiores acidentes radiológicos do mundo voltou a assombrar a América Latina. Autoridades da Argentina emitiram um alerta nacional absoluto após o desaparecimento de uma cápsula contendo Césio-137 de uma instituição médica localizada na cidade de Rosário, na província de Santa Fé. O episódio ativou imediatamente os protocolos de emergência do país vizinho e gerou inevitáveis comparações com a tragédia ocorrida em Goiânia, em setembro de 1987, quando a violação de um equipamento semelhante espalhou contaminação e deixou marcas profundas no Brasil.
Na Argentina, o material levado pertence ao Instituto de Cardiologia Dr. Luis González Sabathie. A cápsula, que contém o elemento radioativo em forma de gel dentro de um frasco plástico transparente, era utilizada para a calibração de equipamentos de medicina nuclear. Para garantir o isolamento da radiação, o frasco ficava guardado dentro de um recipiente cilíndrico e blindado de chumbo, com cerca de 12 centímetros de altura. A falta do material foi constatada pela equipe técnica da instituição, e a principal linha de investigação da Justiça Federal argentina aponta para a hipótese de furto.
A grande preocupação da Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) da Argentina e das forças de segurança é que o objeto seja manuseado por pessoas leigas ou vendido para ferros-velhos como sucata — exatamente a mesma sequência de eventos que desencadeou a catástrofe em solo goiano há quase quarenta anos. Em 1987, uma cápsula de Césio-137 foi retirada de um hospital abandonado por catadores de recicláveis, que romperam a blindagem protetora e se encantaram pelo brilho azul do pó radioativo, distribuindo o material entre familiares e vizinhos. O desastre brasileiro resultou em quatro mortes imediatas, centenas de pessoas contaminadas e milhares de monitorados pelo resto da vida.
Especialistas argentinos apressaram-se em esclarecer que, por se tratar de uma fonte de calibração, a carga de radiação desta cápsula específica é consideravelmente menor do que a da máquina de radioterapia que causou o acidente no Brasil, apresentando um risco biológico inicial classificado como baixo. Contudo, o alerta permanece máximo. Caso a proteção de chumbo seja aberta ou danificada, a exposição direta ao gel pode causar sérias queimaduras na pele, úlceras e severos danos celulares a médio e longo prazo.
As investigações em Rosário seguem em ritmo acelerado, com análises de câmeras de segurança e depoimentos de funcionários que tinham acesso à área restrita. O governo argentino reforçou o apelo público: caso o recipiente de chumbo seja encontrado, ninguém deve tocá-lo, transportá-lo ou tentar abri-lo. Qualquer pista sobre o paradeiro do material deve ser comunicada imediatamente às forças policiais para evitar que o erro histórico de Goiânia se repita em território argentino.
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