Açude Capitão-Mor: 38 Anos de História e o Degsafio dos Ciclos de 15 Anos sem Sangrar
O reservatório, que superou o colapso hídrico em 2019, celebra neste sábado (25) o aniversário do início de sua última grande sequência de vertimento; nível atual traz esperança para o fim de mais um longo jejum.

Neste sábado, 25 de abril de 2026, o município de Pedra Branca volta seus olhos para uma das joias de seu patrimônio hídrico: o Açude Capitão-Mor. Localizado a cerca de 68 km da sede municipal, o reservatório completa hoje exatamente 15 anos do início de sua última sangria confirmada, em 2011. Mais do que uma data no calendário, este marco reforça a complexa relação entre o homem e a água no semiárido cearense, evidenciando ciclos de abundância e escassez que testam a resistência da comunidade local.
Erguido pelo Exército Brasileiro e inaugurado em 1988, o Capitão-Mor celebra este ano 38 anos de existência. Nestas quase quatro décadas, o reservatório, que possui capacidade para 6,31 milhões de metros cúbicos, registrou sangria em apenas cinco oportunidades: 1989 (logo após sua inauguração), 2004, 2008, 2009 e, por fim, o ciclo que se encerrou em 2011. Os dados levantados pela nossa reportagem revelam uma coincidência intrigante e preocupante: a história do açude é marcada por dois grandes “jejuns” de 15 anos.

O primeiro grande hiato ocorreu logo no início de sua operação. Após o primeiro vertimento em 1989, o Capitão-Mor só voltou a transbordar em 2004, completando uma década e meia de espera. Agora, a história se repete: de 2011 até o presente momento em 2026, o açude soma exatos 15 anos sem ver suas águas passarem pelo sangradouro. Esse intervalo recente foi o mais dramático de sua história, incluindo o temido colapso de 2019, quando o volume atingiu a marca crítica de 1,87%, forçando a população a depender exclusivamente de poços profundos.
No entanto, o cenário atual é o mais otimista da última década. Com as fortes cheias registradas no Rio Capitão-Mor, alimentadas pelas precipitações vindas da Serra de Tauá, o reservatório apresenta hoje um volume robusto de 62,76%. É o melhor índice desde 2011, trazendo a expectativa de que o ciclo de 15 anos de seca no vertedouro possa ser quebrado em breve.

Com 247 metros de coroamento e 17,89 metros de altura, o Capitão-Mor permanece como o terceiro maior de Pedra Branca, atrás apenas da Barragem Padre Geraldo e do Açude Trapiá. Localizado estrategicamente na divisa com Mombaça e inserido no sistema Banabuiú, o reservatório é o coração do abastecimento de toda a região. Atualmente o gigante de Pedra Branca opera com mais de 62% de sua capacidade, garantindo o abastecimento da região na divisa com Mombaça.
Celebrar seus 38 anos é, acima de tudo, reconhecer a importância da gestão hídrica e a força da natureza que, mesmo em ciclos severos, teima em renascer e banhar de esperança o solo sertanejo.
Portal de Notícias CE – Compromisso com a Notícia, respeito com você!





















































