
A derrota da Seleção Brasileira para a França por 2 a 1, no Gillette Stadium, evidenciou um contraste que vai além do placar: o tempo de maturação de um projeto esportivo. De um lado, Didier Deschamps, o arquiteto da moderna escola francesa, que completa em julho 14 anos à frente dos “Bleus”. Do outro, Carlo Ancelotti, um multicampeão europeu que ainda tenta imprimir sua filosofia em uma Seleção que comandou em apenas nove oportunidades desde que assumiu, em meados de 2025.
A superioridade francesa em Boston não foi obra do acaso. O time de Deschamps joga de memória, fruto de um ciclo que atravessa três Copas do Mundo, com um título (2018) e um vice-campeonato (2022) no currículo. Mesmo com a saída confirmada após o Mundial de 2026, o técnico francês mantém o grupo sob controle absoluto, o que permitiu à equipe ser superior tecnicamente mesmo com um jogador a menos após a expulsão de Upamecano. A França sabe sofrer e sabe atacar com precisão cirúrgica, como visto nos gols de Mbappé e Ekitiké.
Já o Brasil de Ancelotti vive as dores do crescimento acelerado. Com menos de um ano de trabalho efetivo — tendo iniciado as atividades após o fim da temporada europeia 2024/2025 —, o técnico italiano ainda busca o equilíbrio entre o talento individual e a organização coletiva. A insistência em bolas longas e a dependência do brilho isolado dos homens de frente mostram que o “estilo Ancelotti” ainda não foi totalmente absorvido. Com o contrato válido apenas até o fim da Copa, a pressão por resultados imediatos choca-se com a necessidade de tempo para ajustes finos.
Reta Final para o Mundial
O revés serve como um choque de realidade para a comissão técnica brasileira. Com a Copa do Mundo de 2026 batendo à porta, o tempo é o maior adversário de Ancelotti.
A sequência contra Croácia (31/03), Panamá (31/05) e Egito (06/06) será crucial para que o treinador defina a espinha dorsal da equipe. O desafio é transformar o Brasil em um time coletivo capaz de encarar potências estabelecidas como a França, que chega ao México, Canadá e EUA como a equipe a ser batida, sob a batuta final de seu longevo comandante.
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