
A gestão federal oficializou, nesta sexta-feira (27), a revogação do aumento do imposto de importação que incidiria sobre uma vasta lista de mercadorias estrangeiras. A decisão marca um recuo estratégico do Palácio do Planalto, que enfrentava uma escalada de críticas tanto no Congresso Nacional quanto em mobilizações organizadas nas redes sociais desde o anúncio da medida, no início de fevereiro.
Com a nova determinação, o governo estabeleceu que 105 produtos terão suas tarifas zeradas. Além disso, 15 itens específicos do segmento de informática, que estavam na mira do reajuste, manterão as alíquotas vigentes anteriormente, sem a aplicação do aumento que havia sido planejado pela equipe econômica.
A proposta que acabou sendo engavetada previa uma elevação de até 7,2 pontos percentuais nos tributos de importação. O setor empresarial e parlamentares de diversas frentes alertavam que a mudança encareceria o consumo final e prejudicaria cadeias produtivas dependentes de insumos externos, gerando um efeito inflacionário em setores sensíveis da economia brasileira.
Do ponto de vista fiscal, o recuo representa um balde de água fria nas projeções de arrecadação. Inicialmente, o governo estimava reforçar o caixa da União em cerca de R$ 14 bilhões ainda em 2026 com essa taxação. Sem esses recursos, analistas de mercado e observadores políticos em Brasília apontam que o cumprimento da meta de superávit fiscal para este ano se torna um desafio ainda mais complexo para o Ministério da Fazenda.
A mudança de rota é vista como um movimento necessário para preservar a governabilidade e evitar derrotas legislativas, uma vez que a resistência parlamentar ameaçava travar outras pautas prioritárias do Executivo. Até o momento, a equipe econômica não apresentou um plano alternativo para compensar a perda da receita prevista com a revogação da medida.
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