A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou nesta quarta-feira (21), no Palácio da Abolição, o prognóstico climático para o trimestre de fevereiro a abril no Ceará, período que corresponde ao coração da quadra chuvosa no estado. O cenário apresentado é de equilíbrio, porém com riscos: há 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média histórica, 40% em torno da normalidade e apenas 20% de chance de acumulados acima do esperado.
De acordo com a Funceme, a classificação de “normalidade” leva em conta uma série histórica de 30 anos. Para o trimestre analisado, volumes abaixo de 512,5 milímetros são considerados inferiores à média; entre 512,5 mm e 705,9 mm ficam dentro da normalidade; e acima de 705,9 mm são classificados como acima da média histórica.
No recorte espacial, a tendência é de que o centro-sul do Ceará registre condições mais secas em comparação ao centro-norte. Segundo o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, essa irregularidade pode resultar em períodos prolongados sem chuva, conhecidos como veranicos, mesmo dentro da estação chuvosa. Por outro lado, áreas do norte do estado e regiões serranas apresentam maior possibilidade de chuvas intensas, influenciadas pela topografia.
O prognóstico considera análises atmosféricas e oceânicas, além de modelos numéricos. No oceano Pacífico, persiste a La Niña, mas sem impacto positivo significativo para o Ceará. Isso se deve à atuação do Atlântico Equatorial em condição de normalidade, o que dificulta o fortalecimento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Outro fator de alerta é o desempenho fraco da pré-estação chuvosa. Os meses de dezembro e janeiro registraram o terceiro pior acumulado da série histórica da Funceme, com média de apenas 32,2 mm. Janeiro, até o momento, soma apenas 14,3 mm, com tendência de fechar abaixo da média, mantendo o padrão de chuvas irregulares em todo o estado.
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