
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS viveu uma quinta-feira (26) de intensa polarização e embates regimentais no Congresso Nacional. Em votação simbólica que gerou revolta na base governista, o colegiado aprovou um robusto pacote de 87 requerimentos. Entre as medidas mais impactantes estão a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, filho do presidente da República, e a convocação de figuras ligadas ao setor financeiro e à política nacional.
O clima esquentou quando o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), proclamou o resultado da votação em bloco. Parlamentares do governo, liderados pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), acusaram Viana de “fraudar o resultado” e solicitaram a anulação da sessão, alegando erro material na contagem de votos contrários. Viana rebateu as críticas, sustentando que o rito seguiu o regimento e que a estratégia de votação em bloco fora, inclusive, solicitada por membros da própria base aliada. Enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) defendia a legitimidade do processo negando qualquer “golpe”, a oposição celebrava o avanço das investigações sobre o mercado de crédito consignado.
Foco nas Finanças e no Consignado As quebras de sigilo aprovadas miram um período extenso de movimentações financeiras. No caso de Fabio Luis, a comissão solicitou ao Coaf relatórios de inteligência sobre o período de 2022 a janeiro de 2026. Já o Banco Master e a empresa CredCesta tiveram seus sigilos rompidos em janelas que remontam a 2015 e 2017, respectivamente. O foco central é apurar possíveis irregularidades em operações de crédito consignado vinculadas a benefícios previdenciários, esquema que tem sido o cerne dos trabalhos da comissão.
Além dos sigilos, a CPMI endureceu o tom ao aprovar a representação pela prisão preventiva de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). A acusação envolve descontos indevidos em benefícios do INSS e o suposto risco que o investigado oferece à instrução do processo. No campo das oitivas, foram convocados o ex-deputado André Moura, o empresário Gustavo Marques Gaspar e o ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, todos suspeitos de ligação com as fraudes investigadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
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