
O clima político em Rosário do Sul, no sudoeste do Rio Grande do Sul, com cerca de 36.630 habitantes e a 384 km de Porto Alegre, subiu de temperatura nos últimos dias. O motivo não é uma nova votação de projeto de lei, mas sim a homologação da compra de smartphones de altíssimo custo pela Câmara de Vereadores. O investimento, que beira os R$ 46 mil, inclui modelos de última geração destinados à Presidência e à Assessoria de Imprensa, colocando o Legislativo sob fogo cruzado da opinião pública.
De acordo com os registros administrativos oficiais, a conta fechou em R$ 45.830. O “carrinho de compras” parlamentar incluiu três unidades do iPhone 17 Pro Max (256GB), ao custo unitário de R$ 12.200, além de dois aparelhos Xiaomi F8 Pro. Embora o processo tenha seguido os trâmites legais da nova lei de licitações, o que se questiona nas ruas e nas redes sociais não é a legalidade, mas a moralidade administrativa e a desconexão com a realidade do município.
Contraste com a Realidade Local
A repercussão foi imediata e ácida. Moradores da cidade não tardaram a comparar o luxo tecnológico com as carências básicas da população. Em publicações que viralizaram, cidadãos apontam que, enquanto o Legislativo investe em tecnologia de ponta, o único hospital da cidade enfrenta dificuldades crônicas, com relatos de salários atrasados e dívidas milionárias na saúde.
“É um tapa na cara do cidadão”, resumiu uma moradora em um comentário amplamente compartilhado. O tom de ironia também deu as caras, com internautas apelidando a aquisição de “Programa Meu iPhone, Minha Vida”, criticando a falta de remédios nos postos e a precariedade das vias públicas em contraste com os dispositivos de elite.
O Outro Lado
No centro da polêmica, o vereador Jeferson Ortiz (PSDB) veio a público assumir que foi um dos solicitantes dos aparelhos. Em vídeo, o parlamentar defendeu que o smartphone é uma ferramenta essencial de trabalho para a produção de conteúdos e fiscalização parlamentar. Ortiz destacou que o processo foi transparente e está disponível para consulta em edital público, reiterando que utiliza as redes sociais como instrumento de mandato desde 2020.
Apesar da justificativa técnica, especialistas em gestão pública alertam que a conveniência de um gasto deve sempre caminhar ao lado do interesse coletivo. Em tempos de austeridade, a compra de itens de luxo com dinheiro público acaba por desgastar a confiança entre eleitor e representante. O espaço segue aberto para que a Câmara de Vereadores apresente a justificativa técnica detalhada sobre o impacto orçamentário dessa decisão.
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