
O ex-presidente Michel Temer (MDB) manifestou-se oficialmente nesta segunda-feira (16) sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu o Grupo Especial do Rio de Janeiro com um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota, Temer criticou o que chamou de “troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí”, lamentando o tom da apresentação que o retratou de forma satírica.

Durante o desfile, a comissão de frente da escola encenou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, mostrando um integrante caracterizado como Temer “roubando” a faixa presidencial. O emedebista afirmou que, embora o Carnaval seja tradicionalmente um espaço de liberdade e sátira política — lembrando inclusive de quando foi representado como um “vampiro” pela Paraíso do Tuiuti em 2018 —, o atual enredo preferiu o “ilusionismo” à realidade dos fatos.
Temer aproveitou para defender o legado de sua gestão, mencionando reformas como a trabalhista e a do teto de gastos como conquistas que, segundo ele, foram ignoradas pela narrativa da escola. “É triste ver a troca da ‘Ponte para o Futuro’ por uma volta ao passado”, declarou o ex-mandatário, ironizando o nome do seu plano de governo à época.
A homenagem a Lula na Sapucaí também acendeu um alerta jurídico. Setores da oposição e parlamentares bolsonaristas anunciaram que pretendem acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que o desfile configurou propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político, dada a presença do presidente e de ministros no evento. A Acadêmicos de Niterói, por sua vez, defende que a apresentação foi uma manifestação cultural autônoma sobre a trajetória do petista.
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