
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20/02/2026) que considera “inaceitável” a captura e prisão nos Estados Unidos do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e defendeu que, se houver julgamento, ele deve ocorrer na Justiça venezuelana e não no exterior. A declaração foi dada em entrevista ao canal India Today, durante a visita de Lula à Índia.
Lula criticou a operação que resultou na retirada de Maduro de Caracas e sua transferência para Nova York, onde responde a acusações nos Estados Unidos, e destacou que Brasil não pode aceitar que um país capture o chefe de outro Estado. “Isso é inaceitável. Não há explicação para isso”, disse o presidente brasileiro, defendendo que eventuais processos jurídicos sejam conduzidos pela Venezuela.
O presidente brasileiro ressaltou que, no momento, a prioridade deve ser a restauração e consolidação da democracia na Venezuela, em vez de julgamentos no exterior. Lula afirmou ainda que não é admissível a interferência de uma nação sobre outra nação, reforçando a necessidade de respeito à soberania dos povos.
A posição de Lula contrasta com a forma como os Estados Unidos têm conduzido o caso, uma vez que Maduro foi levado ao território americano após ter sido acusado por autoridades dos EUA de participar de uma rede internacional de tráfico de drogas — acusações que o governo venezuelano nega.
Analistas e observadores internacionais veem a declaração de Lula como um posicionamento firme em defesa de princípios de soberania e autodeterminação dos países da América Latina, em meio a um momento de tensões diplomáticas envolvendo o Brasil, os EUA e a Venezuela.
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