
O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), mexeu no tabuleiro político cearense ao declarar, nesta sexta-feira (27), sua disposição em disputar as eleições estaduais de 2026. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ex-governador afirmou que, embora não seja um desejo pessoal, aceitaria uma eventual candidatura caso fosse convocado pelo grupo político liderado pelo Partido dos Trabalhadores no Ceará.
“Se eu for convocado para uma missão no meu Estado, não é uma escolha pessoal, é pelo projeto”, pontuou o ministro. A fala reforça o discurso de lealdade partidária e alinhamento com as estratégias nacionais e estaduais da legenda. Segundo Camilo, decisões dessa magnitude não devem ser movidas por vaidade ou ambição individual, mas sim pela necessidade de manutenção e fortalecimento de um projeto político que já governa o Ceará há ciclos sucessivos.
Durante a entrevista, Camilo também traçou paralelos com o cenário nacional, citando especificamente a situação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Ao comentar uma possível candidatura de Haddad ao Governo de São Paulo, Camilo argumentou que lideranças de peso não podem se furtar de disputar cargos estratégicos quando o momento político exige. Para o ministro cearense, o fortalecimento das bases estaduais é fundamental para a sustentação do governo federal e do próprio partido a longo prazo.
Apesar da sinalização de Camilo, o cenário interno no Ceará ainda apresenta contornos de continuidade. Aliados próximos ao atual governador Elmano de Freitas (PT) foram rápidos em reagir, sustentando que o nome natural para a disputa de 2026 continua sendo o do atual chefe do Executivo estadual, que tem direito à reeleição. Interlocutores do Palácio da Abolição negam que haja qualquer mudança no planejamento estratégico do grupo e reforçam a confiança na gestão de Elmano.
A declaração de Camilo Santana, no entanto, abre espaço para especulações sobre possíveis rearranjos na chapa governista. Sendo o maior puxador de votos do estado na última eleição para o Senado, a figura de Camilo é vista como um “coringa” capaz de pacificar conflitos internos ou enfrentar cenários de maior risco eleitoral. Por ora, o ministro segue focado na agenda do MEC, mas deixa a porta aberta para o retorno à política local.
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