
BRASÍLIA / MATO GROSSO DO SUL — Eleita em 2018 como uma das principais vozes do bolsonarismo no Centro-Oeste, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) oficializou um novo e decisivo capítulo em sua trajetória política. A parlamentar anunciou que apoiará a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), consolidando uma migração completa do espectro da direita para a base aliada do governo federal.
O movimento estratégico foi selado após reunião direta entre a senadora e o chefe do Executivo. Durante o encontro, Lula reforçou a relevância do fortalecimento de bancadas femininas no Legislativo, pauta que Soraya passou a adotar como uma de suas bandeiras centrais.
“O presidente Lula demonstrou toda a sua preocupação com as candidaturas femininas e disse que o Brasil precisa eleger mais mulheres”, declarou a senadora ao detalhar os acordos para o pleito no Mato Grosso do Sul.
Transição Partidária e Discurso de Ruptura
A aproximação com a gestão petista se intensificou em abril deste ano, quando Soraya deixou os quadros do Podemos para se filiar ao PSB — legenda liderada nacionalmente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Na ocasião de sua filiação, o partido enfatizou a “atuação combativa da senadora na defesa dos direitos das mulheres e no avanço de pautas de igualdade social”.
A confirmação do alinhamento ao eleitorado de base ocorreu de forma expressiva no assentamento Monjolinho, em Mato Grosso do Sul, durante as celebrações de 36 anos da comunidade. Diante dos trabalhadores rurais, Soraya abordou abertamente as críticas sobre a alteração de seu posicionamento ideológico.
“É muito importante eu ter chegado aqui pra poder contar pra vocês como é o lado de lá. Eu não ouvi falar, eu vi. E não tive medo de mudar de lado, porque não tenho compromisso com o erro”, discursou a parlamentar.
Articulação Regional e a Disputa pelas Vagas no Senado
No âmbito estadual, o arranjo político envolveu negociações complexas. O deputado federal Vander Loubet (PT-MS), também pré-candidato ao Senado, chegou a sugerir que Soraya compusesse sua chapa como suplente. Embora a senadora tenha recusado a proposta mantendo sua pré-candidatura titular, ambos firmaram um pacto de colaboração para tentar conquistar as duas vagas em disputa no estado.
A trajetória de Thronicke no cenário nacional é marcada por rápidas transformações. Em 2018, surfou a onda conservadora e se elegeu pelo PSL. Em 2022, migrou para o União Brasil para disputar a Presidência da República, momento em que rompeu definitivamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua presença na posse de Lula, inclusive com acenos a militantes de esquerda, gerou duras reações de antigos aliados, como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que a rotulou publicamente.
Hoje, abrigada no PSB e com apoio direto do Planalto, a senadora busca estruturar uma frente ampla no MS para garantir seu segundo mandato na Alta Casa
Com informações da CNN Brasil
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