
Foto Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O senador e candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) declarou na noite deste domingo que não reconhece o resultado das eleições, que apontou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em pronunciamento público, ele criticou a prorrogação do horário de votação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas omitiu o fato de que sua própria campanha recorreu à Justiça Eleitoral pedindo exatamente a mesma medida em regiões atingidas por fortes temporais.
A polêmica gira em torno da decisão do ministro Cristiano Zanin, que ampliou o funcionamento das seções eleitorais em todo o território nacional até às 19h. A medida foi acolhida a partir de pedido apresentado pela campanha petista. No entanto, antes mesmo da solicitação do PT, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro já havia formalizado requerimento semelhante junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O primeiro pedido da campanha do PL foi protocolado às 15h27, menos de duas horas antes do fechamento originalmente previsto para as 17h. O documento pedia a extensão do horário de votação até as 19h em 17 municípios distribuídos por São Paulo, Paraná e Santa Catarina — áreas severamente impactadas por chuvas intensas, que provocaram alagamentos, bloqueio de vias e até transferência de locais de votação. Na ocasião, a defesa do candidato argumentou que a prorrogação era essencial para garantir o direito ao voto, e frisou não haver qualquer intenção de obter vantagem eleitoral: “O pedido não busca vantagem para qualquer candidatura: busca assegurar que o eleitor desses Estados não seja impedido de votar por fenômeno climático, em benefício de todos os candidatos e do próprio resultado do pleito”.
Após a campanha de Lula apresentar requerimento solicitando a prorrogação em âmbito nacional, o ministro Zanin acolheu o pleito e estendeu o horário para todo o país. Em seguida, a equipe de Flávio Bolsonaro entrou com um segundo pedido, pedindo mais duas horas de votação para cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, também atingidas por problemas climáticos.
A contradição entre as ações judiciais e o discurso público chamou atenção: enquanto em recurso à Justiça a campanha do PL defendeu a prorrogação como instrumento de garantia democrática, em pronunciamento o candidato classificou a medida como irregular e questionou a lisura do processo. A postura revela uma estratégia que, por um lado, busca assegurar participação do eleitorado em áreas específicas e, por outro, lança dúvidas sobre a validade do resultado em âmbito geral. Até o momento, o TSE não se pronunciou sobre os pedidos complementares da campanha bolsonarista referentes aos municípios mineiros e gaúchos, e segue analisando as demandas eleitorais.
A situação reacende debates sobre a transparência e a uniformidade das regras eleitorais, especialmente em cenários de eventos climáticos extremos que afetam diretamente o acesso dos cidadãos às urnas. Especialistas lembram que a garantia do livre exercício do voto é um princípio fundamental da democracia, e que medidas de ajuste no horário de votação costumam ser adotadas para não excluir eleitores de regiões afetadas.
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