
O mês de maio de 2026 terminou com um cenário de forte contraste nas precipitações do Ceará. Enquanto grande parte dos municípios cearenses conseguiu superar a média histórica para o período, a região dos Sertões de Crateús seguiu uma tendência geral de baixa, registrando volumes de chuva predominantemente abaixo do esperado. No entanto, cidades vizinhas conseguiram romper o bloqueio e fecharam o mês com saldo positivo. Os dados consolidados são da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
De acordo com o balanço do órgão, o cenário majoritário na região foi de escassez. Cidades como Tamboril e Monsenhor Tabosa enfrentaram as situações mais críticas, amargando desvios negativos que superaram os 60%. Em Tamboril, a normal climatológica para o mês era de 54.2 mm, mas o volume observado não passou de 20.4 mm (desvio de -62.3%). Monsenhor Tabosa apresentou comportamento semelhante, acumulando apenas 22.6 mm frente aos 59.5 mm esperados, o que representa uma queda de -62%. A própria cidade de Crateús fechou no vermelho, com 39.6 mm acumulados e desvio de -25.8%, seguida por Novo Oriente, que teve redução de -14.3%.
Na contramão desse cenário seco, três municípios da região se destacaram com volumes acima da média histórica. O caso mais expressivo foi o de Ararendá, que registrou impressionantes 99 mm acumulados frente a uma normal de 59.3 mm, alcançando um desvio positivo de 66.9%. Quiterianópolis também superou as expectativas ao computar 69.3 mm de chuva, um salto de 26% em relação à sua média de 55 mm. Já Independência teve uma alta mais tímida, mas fechou o período com 46.5 mm acumulados, garantindo um desvio positivo de 8.1% sobre a normal de 43 mm.
Meteorologistas explicam que a forte oscilação e a irregularidade na distribuição das chuvas são características marcantes do término da quadra chuvosa no estado, que compreende os meses de fevereiro a maio. Microclimas e a passagem de nuvens de instabilidade isoladas explicam por que municípios tão próximos apresentaram realidades tão distintas, deixando a região em um estado de atenção dividida para o armazenamento hídrico e para a colheita da agricultura de sequeiro.
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